12 de jul. de 2011

Combatendo os pequenos males do Inverno...

pesquisa realizada por Stella Bittar
É HORA DE SE AQUECER
 E DE SE FORTALECER!

 
Muitos plantas medicinais e óleos essenciais podem nos ajudar a enfrentar o inverno agindo na energia vital do organismo e no nosso sistema respiratório. Podemos combater as gripes e resfriados de forma natural e segura.

A medicina caseira e popular, tão antiga e comum no Brasil, indica diversas ervas para combater esses males...todos nós já ouvimos falar ou já tomamos chás de alho, canela, eucalipto ou gengibre...A Aromaterapia clássica também sugere o uso de diversos óleos essenciais com a mesma finalidade.


No estanto, estudando e pesquisando o uso das plantas medicinais e dos óleos essenciais no Ocidente e fazendo as relações com a Medicina Tradicional Chinesa, achei importante diferenciar um pouco os tipos de gripes.

Para tipos de gripes diferentes, plantas diferentes...

Assim, levando em conta as particularidades de cada óleo essencial, proponho aqui, de forma simplificada,  indicações para os males do inverno, seguindo os conceitos básicos da Medicina Tradicional Chinesa e  os princípios da Aromaterapia clássica:


Gripes caracterizadas por ausência de febre ou febre baixa, coriza aquosa ou congestão nasal, aversão ao frio, pouca ou nenhuma sudorese: utilizar óleos essenciais que aquecem e tonificam, como gengibre, tomilho, cedro, louro, canela, manjericão, hissopo, cravo, manjerona, pimenta-negra, alecrim, junípero, bergamota, mirra, de ação predominante yang, ou ainda sálvia, lavanda, melissa, cânfora, de ação yin-yang.
  
Gripes caracterizadas por febre alta, sudorese, dor de garganta, sede e dor de cabeça, muco espesso e amarelo: utilizar óleos essenciais de camomila, hortelã-pimenta, cajepute, eucalipto, olíbano, niaouli, limão, tea-tree, sândalo, cipreste, capim-limão, de ação predominante yin, ou ainda sálvia, lavanda, melissa, cânfora de ação yin-yang.

 AROMATERAPIA EM CASA

Inalação: Escolher até 3 tipos de óleos essenciais. Colocar 2 gotas de cada em uma tigela de água fervente. Cobrir a cabeça com uma toalha e permanecer por 20 minutos inalando o vapor.

Massagens/fricções no tórax e região superior das costas: diluir em um pouco (20ml) de óleo vegetal de base (semente-de-uva, amêndoas ou outro)  a mesma quantidade de óleos essenciais acima.

*Procure um Aromaterapeuta para outros tratamentos específicos. 
*As indicações terapêuticas deste Blog não substituem tratamento médico.

Conheça mais as particularidades terapêuticas e curiosidades do GENGIBRE...nosso Eleito do Inverno,  na Postagem que segue...

Para o frio extremo: Gengibre!

pesquisa realizada por Stella Bittar
GENGIBRE (Zingiber officinale)
Ginger(ing), Gingenbre(fr), Zenzero (it) 
Famíla: Zingiberaceas
Extração: raízes frescas 





INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS gripes frias, aversão ao frio, dores reumáticas, dores musculares, insuficiência respiratória, cãimbras abdominais, enjôos, dispepsia, aerofagia, falta de apetite; cansaço, estafa, memória fraca, falta de energia sexual. Elimina o frio e a umidade do corpo e auxilia nos processos digestivos.


AÇÃO ENERGÉTICA Medicina Tradicional Chinesa
Yang – tonifica o Qi do organismo, principalmente do Pulmão – age também sobre os Canais do Estômago, Baço-Pâncreas, Rim e Coração.



PSICOAROMATERAPIA estimula e aquece os centros vitais promovendo o ânimo e fortalecendo a força de vontade (Zhi) e a iniciativa.



Mistura-se bem a outros óleos essenciais: agrumes (laranja ou bergamota) ou amadeirados (sândalo, cedro) ou ainda, olíbano, rosa e patchouli em banhos tonificantes.

Pode ser irritante para a pele – utilizar com moderação. Evitar durante a gravidez.

SE NÃO POSSUI O ÓLEO, USE A PLANTA !

Gripes frias: Infusão de 1  colher de sopa do rizoma em 1 xícara de água. Abafar por 10 min. Coar. Beber 3 vezes ao dia. Inalação: num recipiente com 1 litro de água em fervura, 1 colher de sopa de gengibre fatiado. Desligar o fogo e fazer uma inalação: cobrir a cabeça com uma toalha e inalar o vapor por 10 minutos.  Não sair ao sereno após o uso.

Reumatismos e dores musculares: Cataplasma com gengibre bem moído ou ralado e amassado num pano ou gaze - aplicar diretamente no local.

Óleo de gengibre: Amassar em 1 pilão 1 colher de chá do rizoma picado em 1 xícara de café de óleo de semente-de-uva. Levar em banho-maria. Coar. Aplicar morno, em leves fricções, nas regiões doloridas.

USO CULINÁRIO
Utilizado para condimentar pratos de carne de aves e carneiro, peixe e frutos do mar. Muito apreciado na cozinha oriental e muito popular na Inglaterra.

O gengibre é um ingrediente fundamental no preparo do Tandoori, mistura indiana de especiarias composta por gengibre, alho, tamarindo, cominho, açafrão, sementes de coentro, pimenta-de-caiena ou ainda cravo, canela ou páprica.

No Brasil, é um dos ingredientes básicos do Quentão, tradicional bebida das Festas Juninas.

ORIGEM E CURIOSIDADES HISTÓRICAS

 Índia e China. Desde os tempos mais remotos vem sendo utilizado como condimento, erva e medicamento. Para os chineses é um alimento espiritual, que liga o homem aos Deuses. Era utilizado na arte da resistência e longevidade. 

O médico grego Dioscórides, pai da Farmacognosia, relata em sua grande obra De Materia Medica: “O gengibre aquece o corpo, é digestivo, abre o apetite e é um antídoto contra venenos”.
O gengibre de fato fez parte da famosa poção contra todos os venenos – o Mithridaticum.
 
 


No Alcorão, texto sagrado do Islamismo, o Gengibre aparece como uma recompensa: "Os justos beberão um néctar temperado(...) Deus irá recompensá-los por sua persistência, com vestimentas de seda e as delícias do paraíso (...) Reclinados sobre sofás macios, eles serão servidos em finos pratos e nas taças de prata e eles mesmos se servirão de um néctar temperado na Fonte de Gengibre".

Os Turcos o utilizavam nas poções afrodisíacas, que levava suco de laranja, "licor", açúcar, noz-moscada e gengibre.

Era também um elemento fundamental na famosa “Mistura explosiva” de Nostradamus: gengibre, canela, cravo, pimenta. Na Europa medieval era ainda uma especiaria extremamente cara e muito procurada, sendo preconizada pelos médicos ingleses.

As "poções, pós, óleos e ungüentos mágicos" para estimular a sexualidade ou atrair bens materiais sempre levavam gengibre , entre outros ingredientes secretos, é claro...!




*As indicações acima não substituem tratamento médico.

10 de mai. de 2011

A Sálvia que salva...

Pesquisa realizada por Stella Bittar

Óleo essencial de Salvia sclarea
Sage (ing), Sauge (fr), Salvia (it)
Da Família das Labiadas, a Sálvia é uma planta que atinge até 90 cm de altura com folhas ovaladas e macias e flores que vão do branco ao lilás, muito aromáticas. A extração para obtenção do óleo essencial é feita das folhas e flores por destilação a vapor.

A Sálvia  é anti-séptica, hipotensora, estimulante, afrodisíaca, tônica, anti-transpirante, depurativa, diurética, adstringente, anti-espasmódica, digestiva, anti-depressora. Age no hipotálamo, ponto central do sistema nervoso que regula as funções vitais, exercendo atividade estrogênio-like.

Indicações terapêuticas: retenção hídrica e dores musculares; leucorréia (fluxo vaginal), tensão pré-menstrual, climatério, menopausa, amenorréia e dismenorréia (escassez da menstruação e cólicas menstruais), partos laboriosos; convalescença, bronquite e asma ; digestão lenta, estomatite, afta e gengivite ; tratamento de cabelos oleosos, queda de cabelos, caspa, seborréia, piolhos; acnes, pele seca, pele oleosa, dermatite, eczema, machucados, transpiração excessiva.

Psicoaromaterapia: indicada nos casos de depressão, tensão nervosa, tensão pré-menstrual; pânico e  histeria; depressão pós-parto; auxilia os tipos nervosos, fracos e temerários.
Ação energética: Yin e Yang, dependendo da forma e quantidade de uso, atuando principalmente nos Canais Energéticos do Rim, Baço-Pâncreas, Pulmão, Coração. Profunda ação sobre a Mente (Shen).

Nota terapêutica: Venho observando ao longo dos anos nos pacientes a eficácia dos óleos corporais (Blends aromaterápicos) preparados com uma base de óleo vegetal e óleo essencial de Sálvia nos casos de cólicas menstruais e menstruação escassa, retenção hídrica, problemas respiratórios, cansaço extremo ou convalescença, partos laboriosos, sintomas do climatério e da menopausa.
Já nos casos de TPM marcada por tristeza ou irritabilidade, depressão nervosa, depressão pós-parto, pânico, percebo resultados melhores quando o óleo de Sálvia é administrado na forma de spray, por inalação, em conjunto com outros óleos como os de Lavanda, Rosa, Gerânio e óleos cítricos.
Ao meu ver, assim como a Lavanda, o Gerânio e a Rosa, a Sálvia carrega marca energética profundamente feminina.


Se não possui o Óleo, use a Planta!!!!!

Uso interno:
Menstruação dolorosa e distúrbios da menopausa: 3 colheres de sopa da erva em 1 garrafa de vinho branco. Deixar em maceração por 8 dias. Coar. Tomar 1 cálice, 3 X ao dia, no caso de menstruação dolorosa, durante os 10 dias que precedem a menstruação.

Digestão difícil, resfriados, sudorese excessiva: Infusão de 1 colher de sobremesa da erva e flores em 1 xícara de chá de água fervente. Deixar abafar. Tomar 1 xícara 2 X ao dia.

Uso externo:
Gripes e congestão nasal: inalação do seu infuso (ou 2 gotas do óleo numa tigela de água fervente).
Não ultrapassar 15 minutos de exposição aos vapores. Não sair ao sereno após o uso.

Feridas e piolhos: Adicionar 1 xícara de vinagre branco em 3 colheres de sopa da erva. Deixar em maceração. Coar e espremer o resíduo. Aplicar nos locais afetados com um chumaço de algodão. Em caso de piolhos, aplicar no couro cabeludo e na nuca, deixar agir por 2 horas. Lavar a cabeça e passar o pente fino.

Mau hálito, afecções da boca, dentes manchados: 2 colheres de sopa em 1 xícara de álcool de cereais a 70%. Macerar por 10 dias. Coar e armazenar em frasco escuro. Tomar 1 colher de chá diluída em água antes das refeições. Em caso de dentes manchados, utilizar o líquido durante a escovação.

USO CULINÁRIO: A sálvia mistura-se bem ao alecrim, orégano, salsa e louro. É ótima para temperar tomates, batatas, vegetais, carnes, peixes mas deve ser utilizada com moderação.


Curiosidades da Botânica antiga...

Originária do sul da Europa, seu nome vem do latim salvare, ou seja, salvar, curar.
Há muito vem sendo utilizada como um grande remédio. Os Gregos já a utilizavam por suas propriedades digestivas. No Sul da França havia um ditado que dizia: “aquele que possui sálvia no seu jardim, não necessita de médico”.

Para os Gregos e Romanos esta planta salvava não somente o corpo físico como também a alma, por isso sua grande presença nos rituais de magia e nos funerais.

À esta “Erva de Júpiter” sempre foram atribuídos poderes extraordinários. Na Europa da Idade Média conferiam-lhe poderes ocultos. Os Xamãs da América do Norte sempre a utilizaram para afastar maus espíritos e purificar.
Até os dias de hoje, nos rituais populares, a sálvia, assim como a arruda, a lavanda, o alecrim, a hortelã, o tomilho, o capim-limão, o manjericão, manjerona, o funcho, a erva-luiza, são alguns exemplos de ervas muito utilizadas para “limpeza e purificação” de pessoas e ambientes.
Hildegarde Von Bingen, abadessa do séc XII e grande conhecedora das ervas medicinais, diz : A Sálvia é de natureza quente e seca. Ela é boa para comer crua ou cozida por aqueles que sofrem de humores nocivos, acalmando tais humores...”


Deve-se respeitar as doses recomendadas e não se submeter ao seu uso durante longos períodos.
Gestantes, lactantes ou epiléticos não devem administrá-la.
As indicações acima não substituem tratamento médico.







17 de mar. de 2011

Óleos essenciais e nossas emoções

Pesquisa realizada por Stella Bittar


" Experimente os perfumes das flores e da natureza em geral para ter paz na mente e alegria na vida "  Wang Wei - Séc VIII. 



Em uma postagem mais antiga - Como os Óleos Essenciais agem sobre o Organismo – coloquei, de forma  sucinta, que os óleos aromáticos atuam sobre a mente e o corpo através de 2 vias principais: sistema olfativo (inalação) e pele (corrente sanguínea).

Para entendermos melhor como agem os Óleos Essenciais nas nossas emoções, o tema deste mês, devemos esclarecer sua ação no nosso cérebro: ao inalarmos um aroma, as moléculas aromáticas passam pela cavidade nasal onde células nervosas receptoras do bulbo olfativo enviam sinais eletroquímicos ao Sistema Límbico, causando liberação ou bloqueio de neurotransmissores específicos, interferindo assim nas nossas respostas emocionais
As mensagens olfativas são convertidas em ação, resultando na liberação da euforia, relaxamento, sedação ou estimulações eletroquímicas” (Price, 1990). 
Hoje sabe-se que o caminho mais eficaz para obtermos bons resultados nos tratamentos das desarmonias psicoemocionais utilizando a Aromaterapia/ Aromacologia*, é através da inalação: "Por via da inalação e ação sobre o Sistema Nervoso, há influência sobre o humor, funções psíquicas e aspecto neurovegetativo, relações psicossomáticas entre os sentimentos e a saúde do organismo" (Padrini e Lucheroni, 1996).

*Aromacologia, termo criado em 1989, Aromachology, pelo Sense of Smell Institute para o estudo das inter-relações entre os aromas e as respostas psico-emocionais.

CONHECENDO UM POUCO NOSSO CÉREBRO... 

Para compreendermos melhor as funções do Sistema Límbico, devemos ressaltar, de forma simplificada, as principais estruturas que o formam e aquelas com as quais ele faz interconexões e que afetam nossas respostas emocionais:
 Amígdala: exteriorização do humor, amor e afeto, medo, agressividade e ansiedade, efeitos viscerais e auto-preservação 
Hipocampo: memória
Área Septal: sensações de prazer relacionadas principalmente com o sexo e o orgasmo
Área Pré-Frontal: manutenção da atenção, raciocínio, concentração
Giro Cingulado: reação à dor e comportamento agressivo
Área Tegmental Ventral: sensação de prazer, insatisfação, compulsão - secreta a Dopamina
Tronco Encefálico: estados afetivos como tristeza, raiva, alegria...
Hipotálamo: homeostase do organismo, funções vegetativas.

Partindo das afirmações acima é interessante conhecermos o trabalho de Gatti e Cajola que já nos anos 20  do século passado haviam classificado os Óleos Essenciais como fundamentalmente Estimulantes ou Sedativos:
Os Estimulantes eram já utilizados nos estados de depressão, langor, distúrbios associados às falhas da função nervosa (paralisia, perda da voz), perda da concentração. Os Sedativos já eram usados nos casos de insônia e estados nervosos. Desde então diversos estudos foram realizados sobre este assunto principalmente na Inglaterra e na França. 


VIVENDO MELHOR O DIA-A-DIA DA NOSSA CUCA COM OS AROMAS...

Seguindo esta proposta e baseando meu conhecimento em outras pesquisas de autores reconhecidos (Jean Valnet, Shirley Price, Robert Tisserand, Paolo Rovesti, Mme Maury...), em estudos sobre a Medicina Tradicional Chinesa e observação dos pacientes ao longo da minha experiência como terapeuta corporal, selecionei alguns óleos essenciais que têm ampla atuação sobre nossas respostas emocionais.
Esta é uma primeira seleção – Óleos estimulantes, calmantes ou equilibradores - lembrando que cada essência tem tanto qualidades Yin como Yang e que seu efeito não é absoluto - dependerá das circunstâncias e formas de aplicação.

Os preparos que componho para os pacientes levam sempre, no mínimo, 3 óleos essenciais e são “personalizados”: levam em conta o histórico de cada um - experiência de vida,  estados mentais, conflitos emocionais – o bouquet final de cada preparo é característico de cada indivíduo...único e indelével.

1.Óleos estimulantes (de natureza preponderante Yang): alecrim, hortelã-pimenta, y-lang y-lang, litsea-cubeba, spruce-black, limão, cravo, hissopo, canela, gengibre, manjericão, eucalipto, laranja, bergamota, jasmim, cipreste, lavandin, sálvia-esclaréia, tomilho, erva-doce,  louro, patchuli, verbena.

2.Óleos calmantes (de natureza preponderante Yin): melissa, camomila, manjerona, cedro, lavanda, neroli, rosa,  mirra, sândalo, petit-grain, tangerina, junípero, lemon-gras.

3.Óleos Equilibradores (Yin e Yang – dependendo da intenção, forma e quantidade de uso): lavanda, palma-rosa, sálvia-esclaréia, gerânio, bergamota, grapefruit, laranja, cedro, olíbano, sândalo, mirra, lemon-gras.

A partir desta seleção e tendo conhecimento da composição química/quimiotipo, ação no cérebro, uso através da história, marca energética e a simbologia, personalidade e características específicas de cada óleo essencial, podemos atuar mais profundamente sobre outros aspectos das emoções - raiva, tristeza, apatia, rancor, irritabilidade, ansiedade, medo, ciúmes, insatisfação, desesperança...

 CURIOSIDADES HISTÓRICAS : Desde os tempos em que os aromáticos eram usados em forma de incensos, nas cerimônias religiosas por exemplo, o propósito de seu uso já era obter um efeito sobre a mente...
 Grandes médicos da História como Galeno ou Paracelso preconizavam o uso das ervas aromáticas como remédios poderosos para os desequilíbrios psíquicos ou as convulsões histéricas...

Receita da Loção da Felicidade de Hildegard von Bingen séc XII: 100 g de flores frescas de malva com 200 g de flores frescas de sálvia, misturadas a 20 cl de vinagre de cidra. Deixar macerar e massagear as têmporas e a testa com a loção: O vinagre arranca a acidez da melancolia, o suco da malva a dissolve e o suco da sálvia a seca.


17 de jan. de 2011

Curas de verão com remédios naturais

Após os pequenos exageros cometidos nas Festas e férias de verão...use as plantas!
pesquisa realizada por Stella Bittar

INFUSÕES PARA OS PEQUENOS EXAGEROS...

Empapuçou? Enjôos, indigestão ou peso no estômago? infusão de Hortelã, Camomila, Espinheira-Santa, Alecrim, sementes de Erva-doce (carminativos e antiespasmódicos).

Abusou da cervejinha naquele final de tarde na beira da praia? infusão de Alecrim, Boldo, Dente-de-Leão ou ainda de folhas de Alcachofra (hepatoprotetores).

Exagerou nas guloseimas? Complemente sua dieta com infusões de Guaçatonga, Carqueja, Pariparoba, Cipó-Mil-Homens, Centela, Chapéu-de-Couro (ótimos depurativos, agem nas afecções gástricas, intestinais e hepáticas). Já a famosa Cavalinha ajudará na retenção hídrica sendo um poderoso diurético.

Dores de estômago, hiperacidez, gastrite, indigestão e dispepsias podem ser aliviadas com infusão de Espinheira-Santa e Calêndula.

Lembre-se de nunca abusar dos chás de ervas: 2 a 3 xícaras ao dia, preparados na hora, são o suficiente. As folhas e flores não devem ser fervidas. Deixe-as em infusão por 10 minutos e coe. O chá nunca deve ter cor escura e não deve ser guardado. Não tome a mesma erva por mais de 15 dias consecutivos.
DICAS PARA O DIA-A-DIA Use e abuse das refeições que levam alho-poró, funcho, cenoura, pepino, salsão, couve, abóbora, folhas verde-escuras e frutas como abacaxi, maçã, mamão, melancia, uva.
Complemente com ervas aromáticas frescas: hortelã, orégano, sálvia, tomilho, coentro, manjericão, salsa, alecrim e sementes de erva-doce. -  As Ervas Aromáticas auxiliam o sistema digestivo nos espasmos, cólicas estomacais e intestinais, digestão difícil, diarréia, constipação e flatulência...
Lembre-se sempre da riquíssima água de côco que depura e hidrata, da ação purificadora do limão ou simplesmente da água!!!

SUCOS DIURÉTICOS E DEPURATIVOS – auxiliam as dietas emagrecedoras: melancia, cenoura, pepino, folhas frescas de hortelã / limão, salsão, cenoura, folhas frescas de dente-de-leão / beterraba, cenoura e maçã, folhas frescas de alecrim.

Para evitar confusões:
Nomes populares e respectivos nomes científicos das principais plantas medicinais citadas:
HortelãMentha piperita
Camomila Matricaria chamomilla
Erva-docePimpinella anisum
AlecrimRosmarinus officinalis
BoldoPlectranthus barbatus
Dente-de-LeãoTaraxacum officinale
Guaçatonga / Chá de BugreCasearia sylvestris
CarquejaBaccharis trimera
PariparobaPothomorphe umbellata
Cipó-Mil-HomensAristolochia cymbifera
Chapéu-de-CouroEchinodorus grandiflorus
Centela Centella asiatica
CavalinhaEquisetum giganteum
Espinheira-SantaMaytenus ilicifolia
CalêndulaCalendula officinalis


Parte II
DENTE-DE-LEÃO - Erva daninha? Que panacéia!

Taraxacum officinale
Nomes populares: dente-de-leão, chicória-selvagem, chicória-louca, radite bravo, salada-de-cão, taraxaco, amor-dos-homens

Nomes em outros idiomas: dandelion (ing), dent-de-lion ou pissenlit (fra), dente-di-leone (ita)

Indicações terapêuticas: Distúrbios hepato-biliares, constipação, hidropisia, colesterol alto, colecistite, distúrbios da função digestiva, afecções da pele. Utilizado na prevenção da gota, artritismo, cálculos renais, reumatismo e como tratamento complementar da anemia.

Modo de Uso:
Como diurético e para distúrbios da função digestiva (estomacal, hepática, biliar, intestinal, prisão de ventre):
1. Infusão de 10g de folhas e raizes por litro de água. Beber 3 xícaras ao dia.

2. Deixar macerar 2 colheres de sopa de raízes e folhas picadas e amassadas por 3 dias em 1 xícara de chá de álcool de cereais. Beber 1 colher de chá ao dia diluída em 1 copo d´água antes das refeições. Guardar em frasco escuro e local fresco.

Afecções da pele e do rosto (pruridos, eczemas, escamações, vermelhidão): 1 colher de sopa das raízes bem picadas em 1 xícara de chá de água em fervura. Coar. Adicionar 1 colher de sobremesa de mel. Aplicar no rosto com 1 chumaço de algodão 2 X ao dia.

Para limpeza da pele, acne, espinhas, manchas escuras: Fazer compressas frias com uma infusão bem forte de dente-de-leão e cavalinha.

Contra-indicações: É contra-indicado em casos de pessoas com sensibilidade gastrointestinal, acidez estomacal, obstrução no duto biliar. Em casos de cálculos renais, usar a planta apenas sob supervisão médica. O látex da planta fresca pode produzir dermatite de contato.

Uso culinário: As folhas tenras e as raízes suculentas em salada exercem sobre todo o organismo uma ação profundamente depurativa, melhorando e regenerando o sangue. Suas flores podem ser acrescentadas nas saladas, maioneses e geléias e os rizomas consumidos crus ou cozidos, cortados em fatias.


Curiosidades antigas...

Seu nome deriva do grego, taraxos = doença e akos = remédio.
Sua utilização é relatada nos escritos preservados em cascos de tartaruga da Era do Imperador Amarelo na China.
Planta conhecida e amplamente divulgada por grandes nomes da Medicina Antiga como Dioscórides.
No século X é comprovado seu uso pelos médicos árabes.
Citada por Paracelso (Médico e Alquimista suíço, séc XVI), Agrippa (Alquimista alemão séc XV), Alberto Magno (Teólogo e Filósofo alemão, grande conhecedor das Ciências Naturais, séc XIII).
No século XVI era um medicamento fundamental dos boticários ingleses.
Hildegard von Bingen, mencionava seu uso já no século XII: "O Dente-de-Leão é quente e seco e um excelente purgativo do estômago".

No Brasil, infelizmente, ainda é considerado somente uma erva-daninha....

As dicas acima não substituem tratamento médico. Gestantes e crianças devem abster-se do uso de ervas medicinais. Consulte seu médico.







7 de dez. de 2010

Benefícios dos Óleos vegetais no verão

Use e abuse dos Óleos Vegetais: Os chamados Carreadores da Aromaterapia hidratam, nutrem e "transportam" os óleos essenciais...
Pesquisa realizada por Stella Bittar
A regra básica da Aromaterapia é nunca aplicarmos óleos essenciais diretamente sobre a pele - precisamos sempre de uma “base” na qual devemos diluir os óleos essenciais:

Os Óleos Vegetais, comumente utilizados para esta função, são ricos em emolientes, mantendo a umidade, suavidade e flexibilidade da pele, atuando contra a irritação graças à presença de lipídios.  Eles protegem, nutrem, hidratam e “transportam” os óleos essenciais para dentro do organismo.
Os Óleos Vegetais mais utilizados na Aromaterapia são: Abacate, Damasco, Avelã, Gergelim, Macadâmia, Amêndoas, Germe-de-Trigo, Oliva, Semente-de-Uva, Rosa Mosqueta, Soja, Girassol, Borragem, Castanha-do-Pará, Prímula, Jojoba, Côco. 
A escolha do Óleo Vegetal dependerá das propriedades específicas de cada um em relação ao  benefício terapêutico procurado.
Muitas vezes aconselho o uso dos óleos vegetais puros – principalmente em climas extremos: no verão podemos utilizar alguns deles como hidratante natural e no inverno para protegermos a pele contra o frio.
Descubra alguns deles!!!
SEMENTE-DE-UVA Vitis vinifera: Sul da Europa, Norte da África, Oriente Médio. De textura fina e fácil penetração, seu custo é relativamente baixo. Bom para massagens. Antioxidante, facilita a regeneração e hidratação do tecido cutâneo.

AMÊNDOAS-DOCES  Prunus amygdalus: Ásia Central. Lubrificante e suave, bom para massagens também faciais. Ótimo para peles sensíveis e secas. Rico em proteínas, é um ótimo emoliente proporcionando maciez à pele. Dificilmente se consegue o óleo prensado a frio, sem uso de solventes – que é o melhor.

GERME-DE-TRIGO Triticum sativum: Textura fina. Rico em vitamina E, poderoso antioxidante e conservante natural de outros óleos. Contém vitaminas A, B1, B2, B3, B6, D, F e rico em Lecitina. Ajuda a revitalizar e suavizar peles ásperas e envelhecidas.

OLIVA  Olea europaea: Sua textura é grossa e bastante oleosa. Extraído da Oliveira, Ásia Menor. Ação regenerativa da epiderme, grande emoliente. Excelente para os cabelos, mãos, unhas e pele. É um anti-rugas natural...

GIRASSOL Helianthus annus: Textura fina, aroma suave. Artesanalmente obtém-se o óleo por prensagem a frio. Poderoso hidratante e emoliente, possui grande quantidade ácidos graxos insaturados (oléico e linoléico). Não utilize o refinado encontrado nos supermercados...

ROSA-MOSQUETA Rosa rubiginosa: Aroma e textura leves. Chile. O óleo é extraído dos frutos. Excelente em tratamentos para pele, misturado a outros óleos. Grande antioxidante. Poderoso regenerador cutâneo, é utilizado no tratamento de cicatrizações, queimaduras, redução de cicatrizes, quelóides, assaduras...

ABACATE  Persea americana: De textura grossa. O Brasil é o 4º maior produtor do mundo. O óleo é derivado da polpa do fruto prensado a frio e filtrado (não do caroço, que é tóxico). Solidifica-se quando resfriado. Ótimo para peles sensíveis e secas. Misturar com óleos mais leves.

CASTANHA-DO-PARÁ  Bertholletia excelsa:  Norte do Brasil. Excelente emoliente. Protege a pele evitando a perda de água, promovendo hidratação.

CUIDADOS IMPORTANTES: 
Procure seus Óleos Vegetais em lojas de produtos naturais: devem ter sido prensados a frio, não podem ser refinados (ex: óleo de Girassol comum) ou ainda misturados a Óleos Minerais*   (ex: óleo de Amêndoas comum encontrado nas farmácias).


*Os Óleos Minerais, amplamente utilizados na cosmética, não são utilizados na Aromaterapia. Além de serem prejudiciais, não permitem a absorção dos óleos essenciais pela pele.
Saiba mais sobre este vilão: Óleo mineral (parafina líquida, petrolato líquido pesado, óleo branco ou vaselina líquida) é um produto secundário derivado da destilação do petróleo no processo de produção da gasolina. É um óleo transparente, incolor e quimicamente quase inerte. É um produto de baixo custo, produzido em grandes quantidades.